"Muitas pessoas pensavam que o estilo punk era sobre moicanos, alfinetes de segurança e niilismo, mas não era. Era sobre liberdade e expressá-la. Acho que essa foi uma das coisas que me atraiu para o movimento punk."
- Don Letts -
Um documentário brutalmente honesto que narra quatro décadas da carreira dos NOFX, explorando a música, o caos e as contradições por trás de uma das bandas mais francas do punk rock. Através de relatos em primeira mão e momentos inéditos, o filme revela uma história tão imprudente e engraçada quanto pessoal.
Baseado no romance de Glen Matlock, membro fundador dos Sex Pistols e co-autor de dez das doze canções icônicas de seu único álbum de estúdio, 'NEVER MIND THE BOLLOCKS'. Matlock detalha a mentalidade do início dos anos 70 na Grã-Bretanha e revela um tesouro de segredos.
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The Stooges
País: USA
Formação: 1967
Proto-Punk
Formação, origem:
1967
Ann Arbor, Michigan
Membros
Iggy Pop
Ron Asheton
Scott Asheton
Dave Alexander
Etiquetas
Proto-Punk Detroit Proto-PunkGarage PunkPunk Origins
The Stooges: O Big Bang do punk e a flor selvagem da música rock
Na história da música, poucas bandas podem dizer que estiveram tão radicalmente à frente do seu tempo como os The Stooges de Ann Arbor, Michigan. Enquanto no final dos anos sessenta o mundo ressoava com o "Verão do Amor" e os ideais hippies, os Stooges libertaram algo muito mais sombrio, cru e perigoso. Tornaram-se os pioneiros mais importantes do "proto-punk": sem eles, não existiriam os Sex Pistols, os Ramones ou os Nirvana.



Os Inícios: Aspiradores e manteiga de amendoim
A banda formou-se em 1967. O cantor, James Osterberg (nome artístico Iggy Pop), tinha tocado anteriormente como baterista em bandas locais de blues e garage rock. A ele juntaram-se os irmãos Asheton – Ron (guitarra) e Scott (bateria) – e Dave Alexander (baixo).

Nos primeiros tempos, quando ainda se chamavam The Psychedelic Stooges, as suas atuações eram mais performances de vanguarda do que concertos tradicionais. Iggy adorava usar aparelhos domésticos – como aspiradores ou liquidificadores – para criar um som ruidoso e com feedback. Scott Asheton tocava em bidões de óleo e Ron tocava riffs hipnóticos e repetitivos. De acordo com o texto do documentário, Iggy inspirou-se na brevidade e simplicidade dos programas de televisão (como Howdy Doody ou Soupy Sales): queria que as suas letras não tivessem mais de 25 palavras, para que cada palavra tivesse peso.

A trilogia lendária
A banda produziu três álbuns que hoje são pedras basilares da história do rock:
  1. The Stooges (1969): A estreia lançada pela Elektra Records era crua e primitiva. Continha hinos como I Wanna Be Your Dog ou 1969.
  2. Fun House (1970): Este álbum trouxe um som mais agressivo, enriquecido com elementos de jazz e saxofone (Steve Mackay). As canções transmitiam caos e energia.
  3. Raw Power (1973): Depois de a banda se separar pela primeira vez, reformaram-se em Londres com a ajuda de David Bowie. Aqui, James Williamson já tocava guitarra e Ron Asheton passou para o baixo. Este disco tornou-se o precursor direto do punk rock: metálico, afiado e incontrolável.

Iggy Pop e a arte da confrontação
A reputação dos Stooges foi construída não só pela sua música, mas também pela presença cénica extrema de Iggy Pop. Foi um dos primeiros artistas a lançar-se regularmente para o público (stage diving). Durante as suas atuações, muitas vezes cobria-se com manteiga de amendoim ou carne crua, ferindo-se com estilhaços de vidro e provocando constantemente os espectadores. Segundo a descrição do filme, a banda abordava as atuações de uma forma "não-show-biz": muitas vezes passavam 10-15 minutos apenas a afinar no palco, o que fascinava ainda mais o público.

A queda e a "Marcha da Morte"
No início dos anos setenta, a banda estava à beira do colapso. A dependência de heroína e o álcool consumiram completamente os membros. O documentário refere-se à última digressão como uma "marcha da morte", onde tocavam em bares de motoqueiros e o público atirava-lhes garrafas. As editoras viraram-lhes as costas e os membros empobreceram. Em 1974, os Stooges dissolveram-se definitivamente, os membros procuraram profissões civis (como motorista de camião ou engenheiro eletrónico) e Iggy Pop iniciou uma carreira a solo.

Ressurreição e reconhecimento
Durante décadas, pareceu que os Stooges seriam apenas uma nota de rodapé na história, mas a geração do punk e do grunge (Nirvana, Sonic Youth, Mudhoney) venerava-os como santos. Kurt Cobain nomeou Raw Power como o seu álbum favorito.

In 2003, a banda reuniu-se inesperadamente. Mike Watt (The Minutemen) assumiu o baixo e os Stooges receberam finalmente o reconhecimento que lhes foi negado nos anos setenta: tocaram em festivais esgotados em todo o mundo. Em 2010, foram induzidos no Rock and Roll Hall of Fame.

Legado
A história dos Stooges terminou definitivamente em 2016, quando após a morte de Scott Asheton e Steve Mackay, Iggy Pop anunciou o fim da banda.

Sua influência é incalculável. Mostraram que a música rock não se resume à virtuosidade técnica, mas sim à honestidade crua e à energia sem concessões. Como disse Iggy Pop no seu discurso de indução: "A música é vida, e a vida não é um negócio." Os Stooges permanecem como um monumento duradouro a um tempo em que a música ainda podia ser verdadeiramente perigosa.

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